OLHOS VERMELHOS
Gravação do CD 15 abismos, de 2002
Meus olhos vermelhos, meus vasos romperam / Minha alma fugiu! / Descobri novidades, injetei liberdade / Mastiguei o Brasil! / Se eu sonhar com você, me acorde e ofenda / Chega de alimentar minha alma com uma venda / Chega!!! / Quando fecho os olhos, você não existe / Mas se os abro, lá está: meu karma, sua imagem / Sua vida, uma bobagem / Quero decifrar você, insaciável enigma! / porque é simultâneo: descobrir e reconhecer! / Engolir o seu vômito / é este o meu ônus! / Quem vive de jurar, paga juros à vista! / Se eu sonhar com você, me acorde e ofenda / Chega de alimentar minha alma com uma venda / Chega!!! / Quando encosto a porta desescuto os seus passos / Mas lá fora lá está: sua vida, um desastre / Os olhos em toda parte / Quero decifrar você, insaciável enigma! / porque é simultâneo: descobrir e reconhecer! / Fogo!Fogo!Fogo! / Quero queimar no inferno do seu ventre! / Beber o vinho no pergaminho da sua língua! / Acender a chama do seu amor até me tornar… carvão sem vida!
NÃO EXISTEM ACIDENTES
Gravação do CD “Um segundo de glória”, de 2007
Letra: Ricardo Caulfield
Música: MárcioBukowski/Ricardo
Nas costas do homem havia duas mãos / isto tem nome chamam de empurrão / não ter mais com que se preocupar / acontece com quem cai do décimo andar / logo ele que era a testemunha principal / logo ele que ia depor no tribunal / Ladrões, falsários, assassinos / na pele de bons meninos / a bancar o otário prefiro que digam que sou descrente / não existe sorte ou azar, não existem acidentes / Agora quem chora, ajoelha e pede desculpas / Ria no dia que te armou a arapuca / Uma colher de egoísmo, duas de falsidade / Difícil é separar o boato da verdade / Então se queres vencer a qualquer custo / Por favor não reclame de que o mundo é injusto / São dois tipos de canalha na sociedade / Uns te roubam a carteira, outros, a dignidade
MULHERES APAIXONADAS NÃO ENTRAM EM AÇOUGUES
Letra e música: Ricardo Caulfield
Gravação do CD “Um segundo de glória”, de 2007
Mulheres apaixonadas não entram em açougues / Tripas e vísceras o amor não fala nada sobre nem os contos de fadas / Vingança é a única matemática que os ingênuos conseguem entender quando tentam viver na prática amores de novela de TV / Você pergunta o meu ascendente,eu digo que não sei você não entende que certas coisas eu não sei / Você diz que a cada instante estou ficando mais distante / Mas eu sou assim / Às vezes gosto de ficar só, às vezes me sinto melhor só com o espelho olhando pra mim / mulheres apaixonadas não entram em cemitérios pois o fim é o fim do mistério são tantas mensagens no ar só os mortos não vêem o luar / Quando o homem exorciza a criança quando a realidade mutila as lembranças quando sangue faz o dinheiro jorrar mulheres não deveriam se apaixonar / Você pavilhou seu caminho e quer enfeitar o meu você joga fora os espinhos e quer iluminar o breu / você diz que a cada instante estou ficando mais distante mas isto não acontece /você não entende a diferença que existe desde a nascença / entre homens e mulheres
MEDO
Gravação do CD 15 abismos, de 2002
Letra de Ricardo Caulfield
As ruas estão desertas, há gente com medo/ Crianças espertas quando saem voltam cedo / O futuro é chiclete e o pânico gruda / Ditam as leis e isto não muda / Que tal o fascínio da escuridão? / Você diz não, acenando a mão, / Mas não estou falando com você! / Se liga, mermão! / Pânico e prostração
GOSTO DE CHEGAR ATRASADO
Gravação do CD “Um segundo de glória”, de 2007
Letra: Ricardo Caulfield
Música: Thiago Sobral/Ricardo
Meu relógio está parado / Mas ele não está calado / Ele me diz que as horas não passam / E eu gosto de chegar atrasado / Lá fora a buzina faz alarde / O mundo aprisionado nas cidades / Eu fiz uma camiseta / E estampei o seu segredo / Minha democracia é sangrenta / Eu não quero aconchego / Tranco a porta, acordo o cão / Ensolarando a cidade, solidão / Meu canto é um grito / Meu canto é aqui / Meu riso é um rito / É a raiva que ri / A noite anoitece e se cala / Medo é censura e senzala / Caem árvores / Nascem portas / Dia-a-dia caminho na corda bamba / A sirene anuncia morte na caçamba / Brigas, injustiça e desastre / Onde há fumaça, há humanidade