MEU NOME É VINGANÇA
Cabe dentro de qualquer peito/ O doce mantra da ameaça/ Quando a magoa define o desejo/ O passado cresce e se alastra/ / Não precisa talento para obter vingança/ Rancor é a música./ Você aguarda a dança/ Como você entender aquilo que eu sinto?/ Como você pode saber aquilo que eu digo?/ Não é você que está comigo/ / Matemática é subtração/ Sua lição é lembrar o passado/ Se você pede conselhos/ Mas seus ouvidos estão lacrados/ Não precisa tempo para obter vingança/ Você aguarda o embrulho feito uma criança/ O solo de guitarra que nunca termina/ Meu nome é vingança / O braço amputado que pede a seringa/ Meu nome é vingança/ O mundo que nunca para de bater/ Quando você olha o espelho/ E vê apenas um injustiçado/ Se você posa de vítima/ Agradeça ao seu adversário/
O SILÊNCIO QUE FOI COSTURADO
Eu ouço o grito, ouço o eco/ Ouço o apito, o trem está perto/ Ouço o silêncio, ouço o vão/ Pássaros são pedras/ Que esquecem o chão/ Você gosta da melodia que te faz adormecer/ Que te faz esquecer/ Mas eu sou o cara que não para de fazer a porta ranger/ Eu ouço a glória, ouço o conflito/ O “The end” que sangra no fim do capítulo/ Ouço a batalha sem vencedores/ Acaba um mundo por dia em meus arredores/ Mas já houve mundos piores/ O silêncio que foi costurado/ Quando é que alguém vai encontrar/ O grito que um dia foi guardado / Polícia e bandidos podem ficar parecidos/ Técnica investigativa, para outros, castigo/ Todos juntos na mesma emoção/ Deformando a verdade, a vitória e a visão / Buzina, TV, fogos de artifício/ Todos os sons que costuram o tecido/ Por isso você não vai enxergar/ Quando o Grande Grito te procurar/
Veja o clipe da música “Tem sempre um idiota querendo me ensinar uma lição”, do CD “A Eternidade do Caos. Grito de liberdade, tapa na cara dos hipócritas, dos autoritários e dos amigos por conveniência.
O clipe de Verde e Amarelo foi o segundo dedicado ao cd 15 Abismos, o trabalho de estreia. A ideia e a realização foram levadas à frente por Ricardo Caulfield, e Guilherme Schneider, do Canal Riff. Mesmo o CD tendo sido lançado, bem antes, em 2002, o ano de 2014 era muito convidativo, com uma Copa do Mundo, ali na esquina e muita gente vestindo verde e amarelo..
Era um projeto inusitado: misturar hardcore e playmobil, sugerindo o clima de violência e injustiça social que sempre houve no Brasil, ainda que tudo fosse ficar muito pior nos anos seguintes.
As imagens e tema polêmicos, com bonecos bradando armas e vestindo roupa amarela, de certa forma anteviram o cenário caótico e ufanista que tomou conta do Brasil em 2018. A violência policial integra a narrativa do crime.
Mas, independente do teor crítico da música, a graça do clipe certamente está na presença dos playmobis como atores para uma ensurdecedora trilha sonora. Ressaltando que nenhum playmobil se feriu durante as filmagens!