Punk Rock diretamente dos esgotos paulistanos No final dos anos 70, o do-it-yourself das bandas punk inglesas e americanas chega ao Brasil - os mais jovens descobriram que para fazer rock bastavam 3 acordes. E mais: descobriram, também, que para mostrar suas músicas e idéias não precisavam de gravadora - um gravador bastava... Tal
qual aconteceu no resto do mundo houve uma ruptura no rock em meados dos
anos 70, pois as bandas que estavam "no topo" já não
falavam mais a mesma língua dos jovens, que, por pertencer à
outra geração, e, no caso específico do Brasil, viver
em tempos de "abertura política", não tinha receio
de experimentar maneiras diferentes de expressar sua arte. Embora
essa ruptura tenha levado um certo tempo para chegar em nosso país,
ela chegou de forma definitiva, e ajudou a reerguer o rock que estava
meio em baixa no final dos anos 70 - afinal, os Secos e Molhados e os
Mutantes já tinham encerrado suas atividades. Raul Seixas, embora
fosse cultuado pelos fãs, era de certa forma, um artista considerado
" marginal" pelos meios de comunicação; a ex-mutante
Rita Lee embarcara numa carreira solo beirando a música pop - sem
contar bandas seminais do rock, tal como o Casa das Máquinas, que
não conseguiu sobreviver aos excessos da época e assim por
diante. Por
outro lado, o fenômeno da discoteque acabou de dizimar os poucos
sobreviventes, fechando todo e qualquer espaço para quem não
estivesse antenado com a coisa e quisesse divulgar seu trabalho. Viriam
da periferia de São Paulo - principalmente da chamada zona do ABC
paulista (Santo André, Sdão Bernardo do Campo e São
Caetano do Sul), as bandas que no final da década iriam promover
essa ruptura, fortemente inspiradas pelo punk contestador britânico
do Sex Pistols e The Clash: Restos de Nada, AI-5, Olho Seco, Garotos Podres,
Cólera e , principalmente, Ratos de Porão. Porém,
só no início da década seguinte é que o movimento
sairia do seu gueto e ganharia as manchetes de jornais e TV, graças
ao lançamento da coletânea Grito Suburbano, em 1981, e do
festival O começo do Fim do Mundo, realizado em São Paulo,
em 1982. A
partir daí, as bandas começaram a gravar seus discos, sempre
de forma independente ´afinal, isto era um lema do movimento, o
do " do-it-yourself" (Faça você mesmo): em 1983
sai o compacto Botas, fuzis e capacetes, do Olho Seco, e o lp Miséria
e fome, dos Inocentes. No ano seguinte, o Ratos de Porão vem com
Crucificados pelo Sistema, e, em 1985, o Cólera apresenta o Tente
mudar o amanhã. E, graças ao intercâmbio feito no
circuito "alternativo" de fora do Brasil, as bandas brasileiras
começam a ser reconhecidas no exterior, resultando numa turnê
do Cólera pela Europa, intitulada Paz em todo mundo. Entretanto,
em meados da década de 1980, seus principais expoentes acabam decretando
o esvaziamento da tal ideologia alternativa, sendo aos poucos cooptados
pelo " sistema", passando, com isso, a ser acusados por muitos
de "traidores do movimento": primeiro os Inocentes lança
um mini-lp Pânico em SP, pela WEA. E, mais tarde, o Ratos de Porão
assina com a Roadrunner, gravando o LP Brasil, na Alemanha. Hoje
em dia, praticamente não há mais bandas com a ideologia
típica da época - quem faz punk atualmente costuma seguir
o Hardcore (espécie de mistura de punk com metal) ou a " escola
Ramones", que consiste em rock`roll com três acordes, com letras
versando sobre o cotidiano nas grandes cidades, apesar de muitas bandas
ainda se utilizarem de letras políticas/contestatórias.
No entanto, a grande maioria é conhecida apenas entre os iniciados:
COM-22, Geeks, Praga de Mãe, Name ir Yourself, Coice de Mula, Vilipêndio
e Dead Fish são alguns exemplos de bandas que seguem a cartilha
do punk rock nos dias atuais. Digno
de menção é o Raimundos, que teve a idéia
de misturar o punk rock com o baião recheado de letras com duplo
sentido(a escola de Genival Lacerda e Zenilton), e, já no seu disco
de estréia de 1994, emplacou sucessos como "Puteiro em João
Pessoa" e "Selim" , cujas letras se caracterizavam por
conter uma profusão de referências a sexo e drogas, ditos
da maneira mais crua possível, tendo se tornado uma das bandas
mais populares do Brasil. Hoje, sem o vocalista Rodolfo, que se converteu
a uma igreja evanjélica e saiu da banda para seguir em carreira
solo, eles tentam segurar a onda, porém sem o sucesso do passado.
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