Resenha publicada pela site Central da Música
Assinada por Ricardo Schott*

VILIPÊNDIO
15 Abismos
(Independente - Nacional)

Antes de mais nada, o CD desta banda carioca já merece destaque por ser heavy metal em português - uma coisa que andava perdida em algum canto escuro lá da década de 80 e que, no Vilipêndio, volta em grande estilo. Claro, no século XXI, ninguém mais pode dizer que faz som puro - o guitarrista/vocalista e líder Ricardo Caulfield aparece no encarte vestindo uma camiseta dos Ramones -, não há tanto radicalismo, as músicas misturam heavy anos 70/80 a punk e hardcore... e exatamente por isso soa tão bom. Com os pés bem plantados na realidade do país em que vivem, os caras do Vilipêndio fazem heavy metal sem mitologia e sem satanismo, com um leve sotaque carioca no vocal e boa qualidade em letras, músicas e arranjos.

Ricardo Caulfield, o baixista/guitarrista Marcio Bukowski e o baterista Alexandre Salinger (sentiram as referências?) fizeram um disco que chama a atenção pela boa produção, em todos os sentidos (o produtor, por sinal, é Carlos "Vândalo" Lopes, do Dorsal) e pelas letras, misturando em doses iguais humor negro, realidade, sadismo, masoquismo e ironia em versos como "A lei não conhece limites/ Você não espera que eu distribua convites chamando para participar de minha blitz" (em "Eu defendo a lei", uma das melhores faixas do disco, em duas partes) e "Eu quero destruir/Eu vou destruir/Que tal a gente se unir para destruir?" ("Destruir").
O eterno buraco em que o Brasil se encontra também não foi esquecido e aparece com tinta negra em músicas como "Verde e amarelo". O grupo chega a atingir um nível meio... digamos... Augusto dos Anjos em músicas como "De olhos bem abertos" e "Oração para os invejosos", esta última também merecendo destaque - começa com um andamento meio sabbathiano, arrastado, pesa de vez.

Outros grandes momentos do disco são a boa introdução de "Homem em fascículos", a canção de amor
às avessas "Quem vive de juras" e "Medo", que inicia com clima gótico, ameaça uma balada e ganha um peso memorável. Vale a pena visitar o site da banda - www.vilipendio.hpg.com.br - e abrir os ouvidos para o som dos caras.

* O autor é psicólogo e colunista do MúsicaNews

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