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Coluna Cerveja & Pipoca - DDCs

 

Entre Carlos Zéfiro e Bruna Surfistinha

Se você que estiver em casa procurando um passatempo e alguém disser “sexo”, certamente seus olhos vão brilhar, imaginando mil coisas. E é assim mesmo: sexo é um assunto que permite 1000 reflexões, e, cada um tem a sua opinião e posição (algumas delas acrobáticas, ah, ah). ..mas verdade, seja dita, o assunto não termina na cama, influencia toda a sociedade. E este bombástico assunto é o tema da peça “Os Catecismos segundo Carlos Zéfiro” e do filme “Bruna Surfistinha”. Ambos, uma boa pedida para dar uma desgrudada de casa.

Duas obras que dizem muito do universo masculino. Carlos Zéfiro foi o criador dos famosos quadrinhos pornográficos publicados na década de 50. A peça, atualmente em cartaz no CCBB-RJ, enfoca a busca do jornalista Juca Kfouri para descobrir, no começo da década de 90, o nome verdadeiro do artista e seu paradeiro. A peça, uma parceira do diretor Paulo Biscaia Filho e da atriz Clara Serejo, acompanha esta reportagem investigativa e vai mostrando como aqueles quadrinhos foram recebidos quando criados. Encarados até como subversão! Daniel Colombo parece que encarna o Juca Kfouri e poderia até ser convidado para os programas de esporte para suprir a sua ausência em caso de o original estar de férias!

Outro destaque é o ator Marino Rocha, que roubas as cenas como um jornaleiro muito cara de pau! É curioso como aqueles quadrinhos antigos que mostram as mulheres sempre disponíveis e cheias de volúpia se tornaram uma paixão na vida de tantos. Isso aconteceu por serem uma “fonte de escape” (se é que você me entende) para adolescentes de uma época perdida...

Se a peça mostra uma visão masculina, o filme “Bruna Surfistinha” traz o lado feminino da história. Em alguns momentos do filme, a gente até se envergonha do sexo masculino, pela maneira como alguns homens se portam com a personagem principal. Mas no geral, os caras não são vilões no filme e a protagonista (Débora Secco está perfeita) tampouco é mostrada como santa. O filme tem um apuro estético muito acima da media, seja por soluções visuais, ângulos da câmera. Realmente é cinema.

O prazer desencadeia mesmo paixões, em vários sentidos. Carlos Zéfiro, falecido em 1992, tornou-se um ídolo (e nome de lona cultural) e Bruna também angariou uma legião de fãs, incluindo um cliente que se apaixonou por ela. Moral da história: nós, homens, somos uns tolos capazes de nos apaixonarmos por quadrinhos pornográficos e por garotas de programa. E sexo sem compromisso é lenda urbana.

Ricardo Caulfield, 15 de março de 2011

 

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