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Coluna Cerveja & Pipoca - DDCs

 

O que você sabe sobre este filme?

E o Oscar vai para “O discurso do rei”, filme que, a principio, não me oferecia algum tipo de sedução a ponto de entrar em uma gelada sala de cinema. Como nem sempre as coisas saem como planejamos, lá estava eu encarando o tal discurso. E não é que o longa prende a atenção?

A bem da verdade, o filme se garante nas atuações incríveis de Colin Firth e Geoffrey Rush, cheios de carisma. É bem dirigido, com um roteiro muito bem estruturado, mas, a rigor, passa longe de ser genial ou sofisticado; na realidade, é bem simples. Então qual o segredo para a empatia que este filme desperta?

Histórias verídicas são um chamariz para o publico. “Nossa, isto aconteceu”, acaba sendo a nossa expressão. E, pronto, ligamos a Atenção 2.0, versão muito mais potente do que aquele que usamos para ver a novela das oito (em que para acompanhar, basta ver dois capítulos por semana).

Mas será que “O discurso do rei” ganharia o Oscar se fosse uma história inventada? Despertaria tanto interesse? Também o caso de “Bruna Surfistinha”, se não fosse real... Teria o mesmo apelo?

Não me aventuro a responder estas questões, mas o mais interessante é perceber o quanto somos influenciados em nossa maneira de ver as coisas quando ouvimos ou sabemos algo a priori a respeito delas.

Não é a toa que a propaganda gasta milhões, para despertar na gente um desejo de ver/ouvir/ler/comer/vestir um produto, querendo nos convencer, de antemão, da qualidade de algo que não conhecemos. Mas basta um amigo de confiança dizer que o cd novo do artista x não presta para ficarmos com o pé atrás...

Até as embalagens dos filmes podem gerar expectativas. Lembro de um filme com James Woods, em que a caixa dizia que era uma comedia...no final, um baita drama com o cara morrendo de câncer! Talvez se eu estivesse esperando uma tragédia, não ficasse tão frustrado.

Voltando ao Discurso do Rei...Da mesma maneira que nós lemos “de trigo” no rotulo de algumas cervejas, somos informados de que um filme é baseado em fatos reais. Pronto, estamos preparados para este tipo de cinema, como se cumpríssemos um ato cívico, olhando no espelho e repetindo: “isto aqui não é só entretenimento, aconteceu mesmo...” E posso até imaginar uma tia idosa gritando, do quarto do lado: “presta bem atenção no filme para evitar que aconteça contigo” ou, dependendo do filme, uma variação: “É bom ver a lição de vida deste homem”!

Tem até filme que a gente pensa que é historia verídica e não é! Outro oscarizado, melhor filme de 2005, “A menina ouro”, de Clint Eastwood, começa como um típico filme de boxe e depois se torna um drama terrivelmente dolorido. Dizem que a personagem Maggie Fitzgerald é inspirada na lutadora e instrumentista Juli Crockett. Que continua vivinha da silva, ao contrario da personagem. Depois dizem que a realidade é pior do que a ficção...

PS - Você encontra algo sobre Juli nos seguintes sites:

http://www.evangenitals.com
http://wwwww.julicrockett.com

Ricardo Caulfield, 01/04/2011

 

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