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Metal
ABUSANDO DA CRIATIVIDADE

 
 

A banda carioca Vilipêndio mistura vários elementos em seu trabalho. Punk, crossover e metal são alguns deles. O grupo é um dos melhores em seu estilo e passeia pelo underground com tranqüilidade.

A banda apesar de produzir um som ultra pesado não consegue dar uma definição para seu estilo, o que é uma grande vantagem para quem está começando.

Uma das grandes façanhas do grupo foi ter um texto, de autoria do vocalista Ricardo Caulfield, utilizado pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal (AEUDF) em seu vestibular.


A banda surgiu em 1996 e já se apresentou em diversas cidades do país. O Vilipêndio têm dois CDs gravados, o primeiro 15 Abismo foi sucesso de público e critica, o segundo Um Segundo de Glória, já começa a estourar.

O Portal Visto livre convidou a banda para um bate papo e abaixo você têm a oportunidade conferir o que eles contaram para nossa equipe:

Visto Livre: Este é o segundo CD da banda, o que mudou no trabalho da banda entre um disco e outro?

Ricardo Caulfield: No primeiro disco, éramos um projeto, o que significa dizer que nunca havíamos feito shows. Ou seja, gravamos sem ter esta experiência de palco. No intervalo entre o primeiro e o segundo trabalho, nos tornamos uma banda, acrescentando (em 2002) o Marcelo Ramiro, o Nilson e o Thiago Sobral, respectivamente baixo, bateria e guitarra (destes, só o Thiago continua até hoje). Com esta formação fizemos muitas apresentações e gravamos o CD que saiu este ano. Esta unidade de banda tornou tudo mais fácil e mais árduo também, pois havia mais gente para brigar no estúdio (o primeiro cd foi gravado como um trio e em um segundo havia 5 pessoas!).Filosoficamente o primeiro CD era preocupado em agredir sempre, como uma metralhadora giratória, isso sem perder o cuidado com as letras. Em UM SEGUNDO busquei mirar mais os alvos, ou seja, uma crítica mais direcionada e menos abstrata. E, sonoramente, o novo trabalho é mais direto, ou seja, com mais ingredientes punks do que de metal, embora este último também seja muito forte nas composições.

Marcio Bukowski: Há um pouco mais de humor e melodia. Está mais bem tocado também.

Visto Livre: Quais as influências da banda?

Marcio Bukowski: Inúmeras. Acho que basicamente, o Hardcore e o metal dos anos 80.

Ricardo Caulfield: Punk, metal, hardcore e poesia. E mais a soma das influências particulares de todos os integrantes.

V.L.: A banda tem conseguido o impacto desejado com trabalho desenvolvido?

Ricardo Caulfield: Certamente! O impacto não é ser amado, celebrado como o novo grande talento do rock! O impacto é ser apreciado por um segmento que compreende a proposta da banda! Os modismos e oportunistas vão passar, mas o Vilipêndio é uma banda de trabalho autoral e bem diferente das outras, e que não se prende ao julgamento dos outros. E, apesar de tudo, “UM SEGUNDO DE GLÓRIA” já foi matéria de três revistas especializadas,e temos colhido muitas resenhas escritas por críticos que gostaram da concepção. Isto sem contar os textos que saíram em sites diversos. Acho que a resposta é altamente positiva.

V.L.: Fazer metal em português não é um risco mercadológico?

Marcio Bukowski: Se vc considerar a banda como Metal, sim. Mas se considerar uma banda punk/hardcore, não.

Ricardo Caulfield: É difícil responder esta pergunta assumindo um prisma de banda de metal, porque somos uma banda com ingredientes de punk, metal e hardcore e não nos encaixamos em qualquer um desses rótulos. Talvez “crossover” seja o termo mais apropriado porque diz respeito às bandas que misturam punk e metal. Sobre as letras...Nossas letras têm preocupações sociais, mas também filosóficas e poéticas. As letras em português são importantes porque existe esta preocupação em usá-las com um instrumento para provocar ainda mais o ouvinte. O risco mercadológico não existe porque estamos mais preocupados em divulgar o nosso trabalho do que corresponder às expectativas de uma gravadora, uma vez que somos uma banda independente!

V.L.: Como estão vendo a cena metal no Brasil?

Ricardo Caulfield: São muitas ramificações, sub-estilos e também muita competição. Como eu disse, o Vilipêndio tem ingredientes de metal, mas não pode ser considerada uma banda de metal. De qualquer forma, o Vilipêndio faz shows com bandas punks e também com bandas de metal, desde que sejam de death, thrash ou black metal. Não é possível juntar o Vilipêndio com bandas de metal melódico ou prog, porque as propostas são muito diferentes e os públicos também. Felizmente, acho que agora está havendo uma nova procura por thrash metal; e isso é bom para o metal porque resgata a verdadeira agressividade do estilo e que estava meio perdida.

V.L.: Ainda existe muito preconceito com os admiradores do metal?

Ricardo Caulfield: Acho que existe um estereótipo do fã de metal e muitas vezes ele é depreciativo, porque mostra a imagem de um cabeludo alienado, o que não condiz com a realidade. Outro dia saiu até uma matéria no site da BBC dizendo que o metal é o estilo preferido por jovens de QI mais elevado...

Por outro lado, muitas bandas ajudam a criar este estereótipo porque investem em criar letras e imagens gráficas muito infantis. Se pegarmos todos os subestilos do metal, está difícil encontrar letras que não falem de diabo (no caso de bandas de black metal, ou algumas antigas), de serial killer (moda atual) ou de sexo (no caso das bandas do tipo hard rock). Mas hoje tudo está mais fácil para o fã de metal porque ele representa um público que consome bastante. Certamente era mais difícil ser fã de metal quando o movimento no Brasil era fraco e não significava lucro para o comércio...

V.L.: Fora os veículos segmentados, a mídia não costuma dar muito espaço para as bandas de metal, ao que vocês creditam esse fato?

Marcio Bukowski: Talvez o Metal não gere tanto dinheiro quanto o que é assumidamente pop.

Ricardo Caulfield: Acho que as grandes bandas de metal e punk até aparecem bastante na mídia. As bandas independentes é que ficam mais excluídas, mas também vai depender de a proposta ser mais palatável ou indigesta. Hoje a internet ajuda bastante no crescimento das bandas. Se o jornal não noticia, ok, a banda divulga seu material em sites, myspace, orkut, etc. E a tendência é crescer ainda mais, na medida em que mais brasileiros conseguirem acesso a computadores. Acho que muitos artista independentes já são suas próprias “gravadoras”, tamanha a estrutura que tem em seus sites!

V.L.: Uma reclamação freqüente das bandas de som pesado é que faltam palcos para se apresentarem, isso ocorre com vocês também?

Marcio Bukowski: Sim, infelizmente. O momento não é dos melhores pra quem tem uma banda e quer tocar aqui no Rio. Alguma coisa tem que acontecer pra que essa situação mude. As bandas não podem esperar que isso aconteça sem que tomem uma atitude.

V.L.: Quais os planos da banda para o futuro?

Marcio Bukowski: Vamos gravar alguma coisa com essa nova formação, que promete ser a melhor dentro de um estúdio de gravação.

Ricardo Caulfield: Gravar e fazer shows, gravar e fazer shows, gravar e fazer shows!!!!!!!! Outro fator importante é lutar por uma melhor distribuição dos nossos CDs, porque muitos perguntam como comprar. E, tirando a internet, seria legal que mais lojas vendessem.

V.L.: E a agenda como está?

Marcio Bukowski: Estamos tentando fazer shows à medida do possível.Ricardo: Vai ficar exatamente como eu espero: cheia. Mas, para isso, temos que batalhar muito!

Postado por: J.R. VITAL
Fonte:www.vistolivre.com

 

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