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| Edição nº 52 LIVRO 15 ABISMOS |
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| O conselho era ler este livro que leva o mesmo nome do disco de estréia do
Vilipêndio, e é escrito pelo guitarrista do grupo, ao mesmo tempo em que o
disco estivesse na vitrola. Mas essa sincronia não é necessária, pois as
duas coisas - o disco e o livro, são bem diferentes. A história contada aqui
fala de personagens cotidianos, e começa com um jovem que é acusado por um
crime que teria cometido após ouvir o disco do Vilipêndio. O grupo, seus
integrantes, produtores e o disco continuam aparecendo, mas apenas como
citação para uma novela cheia de personagens curiosos e muito bem
caracterizados pelo autor, que se entrelaçam em torno da história.Os
diálogos, a quebra da narrativa e sua posterior retomada, e a forma como as
várias partes da trama vão se encaixando para dar sentido à história são
muito bem bolados. O autor se inspira, nota-se, no estilo Rodrigueano, mas
com um "up grade" para os nossos dias, onde elementos como drogas, violência
policial e rock, entre outros, substituem os casos de traição e as estranhas
paixões de Nelson. O livro é intigante e acaba parecendo curto, dada a gama
de possibilidades que os personagens poderiam ainda oferecer. Mas o trabalho
conciso de Ricardo Caulfield também é um mérito, e representa, espera-se,
apenas o começo de uma carreira promissora. |